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Esta minha poesia // Simples, como o meu valor // São os sopros da magia // Com que descrevo o amor !!! JFC

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Este site contém versos // De variado sabor // São sentimentos dispersos / Refletindo a minha cor !!!

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* Blogue especialmente dedicado à minha filha *Marta Castro *a razão da minha vida *
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Tempo a destempo

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O tempo que me foi oferecido
Não é o tempo certo que sonhei
Confesso que adorava ter vivido
No tempo em que o amor fazia lei

Confesso até que o tempo que me deram
Me trouxe mais tristezas que alegrias
Apenas os meus fados me trouxeram
Razões para aquecer emoções frias

O tempo pouco vale, se por dentro
Sentimos solidões castigadoras
Que fazem com que o sol do sentimento
Nos brinde com manhãs desoladoras

Este tempo a destempo sem glória
Será sempre uma história a florescer
Talvez seja guardado na memória
De quem não usa o tempo pra viver

Saudade... escuta-me

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Saudade, verso bendito / amor presente
Digo com sinceridade / em oração
Tudo o que deve ser dito / abertamente
Em nome da liberdade / que me dão

Liberdade que não tenho / nem conheço
Porque tu, vives comigo / e fazes lei
Como forma de castigo / que mereço
Pelo amor sem tamanho / que plantei

Sem tamanho, sem medida / sem alento
Sem presente, sem futuro / sem passado
Onde o sonho é tão escuro / e violento
Que até rouba luz à vida / do meu fado

Por tudo isto, saudade / escuta bem
Apetece-me dizer / sinceramente
Que gostava de poder / ir mais além
Transformar-te em felicidade / permanente

Noite fria do meu fado

- - -  
Tentei gostar de ti, ó noite que me cegas
Tentei até saber porque és assim tão fria
Tentei, não consegui, por isso, quando chegas
Sei que me vens encher de muita poesia

Tu vens sempre que o fado encontra um doce leito
Para dornir sereno em camas de verdade
Trazes sempre um passado aceso e tão perfeito
Que tornas mais pequeno o tempo da saudade

Não sei compreender a tua alma fria
Nem sei se a tua a cor é igual à que tenho
Mas não quero perder esssa doce magia
Que faz do teu amor, um tempo sem tamanho

Fados diferentes

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Despertas quando adormeço
Adormeces quando acordo
Choras se não apareço
Mas se apareço, incomodo

Fazes birra quando parto
Quando fico fazes troça
Já começo a ficar farto
De puxar tanta carroça

Não me queres longe de ti
Perto de ti, também não
Confesso que já perdi
O rumo e a direção

Sendo assim, acho melhor
Cada um ir p’ra seu lado
Entre nós não há amor
Cada um tem o seu fado

Coisas do amor

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Nas coisas do coração          
Com muita ou pouca paixão
Com mais fogo ou menos chama
Existe sempre um motivo
Pra que se mantenha vivo
O sonho que nos inflama

É no sonhar que consiste
A força de quem persiste
Na caminhada futura
E quase sempre é possível
Transformar um sonho incrível
Numa coisa bela, pura

Cada passo que o amor
Vai dando, leva a supor
Que o amanhã logo vem
Assim, de passo marcado
Cada um tem o seu fado
Nos fados que a vida tem  

Sorte permanente

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Há quem não saiba que o fado
Cantado, dito, ou tocado
É brado da alma em flor
Mistério quase perfeito 
Do peito que, satisfeito 
Tem o jeito do amor

Existe até quem maldiga
A cantiga... e não consiga
Que a intriga tenha voz
Fado é sorte permanente 
De quem sente a dor pungente 
Permanentemente em nós 

Quem quiser então saber
O poder e o prazer
Que pode haver nesta sorte
Abra o peito ao sentimento
No momento em que o alento
É vento soprando forte

Não sei se sabes

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Não sei se sabes, mas a cor que tem o céu 
É o espelho que retrata fiélmente
O dom celeste onde a beleza se perdeu
Quando ganhou a luz feliz do sol poente

Não sei se sabes, mas o mar encapelado
Com ondas bravas desmaiando em areal
Parece a história dum amor acelarado
Que sendo forte, nunca foi intemporal

Não sei se sabes que o capricho do destino
Conduz por si qualquer destino caprichoso
Um grande amor, mesmo que seja genuíuno
Pode acabar do jeito mais misterioso

Nã sei se sabes que este fado foi escrito
Para que saibas quando vale a despedida
Qualquer manhã que torne o dia nais bonito
Acabará sempre que a noite desça à vida

A marcha real da vida

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Na marcha real da vida
Não há certezas futuras
Na hora da despedida
A coragem da partida
Tem o sal das desventuras

Na marcha real do tempo
Não há destinos iguais
A dor que gera tormento
Põe no nosso pensamento
A força dos vendavais

Na marcha do amor perfeito
O tempo não tem idade
Na solidez do meu peito
Há sopros que não rejeito
Porque me dão felicidade

Na marcha do amor veloz
São enormes os desejos
Amando, tal como nós
Os sonhos não estarão sós
Nesta solidão de beijos

A luz dum grande amor

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Desliga a luz da tristeza
E dá-me a claridade
Desse teu olhar feliz
A cor da tua beleza
Tem a mesma intensidade
Do amor que eu sempre quis

Desliga a luz e sossega
Nos braços deste prazer
Que me sufoca no peito
Este peito que se entrega
Ao suave amanhecer
Deste nosso amor perfeito

Desliga a luz do luar
E vem comigo provar
Os sonhos da sedução
Em nome do amor profundo
Temos toda a luz do mundo
E o mundo na nossa mão

Praia do tempo

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Na velha praia do tempo
Há uma onda feroz / Que teima em não desmaiar
A voz soberba do vento
Nem sequer chega a ser voz / É apenas suspirar

As areias são o chão
Aonde irá repousar / A memória duma vida
Há uma velha embarcação
Que teima em não flutuar / Na onda desfalecida

A noite vem, lentamente
Trazer a luz natural / Que antecede a madrugada
Há um brilho diferente
Que nos diz que o vendaval / Vai chegar, não tarda nada

Enquanto o luar perdura
Uma onda caprichosa / Enfrenta a fúria do mar
Uma noite, mesmo escura
Tem a cor harmoniosa / Que a vida lhe soube dar

José Fernandes Castro *biografia*



Beneficiário n°19477 - SPA

Cantautor nascido na Freguesia de Santo Ildefonso na cidade do Porto em 22.10.57

Começando pela música ligeira como artista de variedades, foi pela mão do guitarrista Acácio Gomes que teve o seu primeiro contacto com o fado. A partir daí as suas deambulações pelos recantos fadistas tornaram-se um ritual de fim-de-semana.

Decorria o ano de 1980, quando, pela mão do consagrado poeta António Torre da Guia fez a sua estreia nas casas de fado, passando a integrar o elenco privativo da extinta CAVE do FADO na sua cidade natal, PORTO. Do elenco faziam parte o consagrado Alvaro Martins (guitarrista) e o violista Angelo Jorge (seu compadre e amigo).

Em 1982, a convite do empresário Joaquim Martins, é convidado para integrar o elenco da CASA da MARIQUINHAS.

Entretanto, deixa as casas de fado para trás e passa a representar a Livraria LELLO & IRMÃO como vendedor através da CREDILELLO, onde se manteve durante 11 anos sem nunca abdicar do fado, passando a realizar espectáculos nos mais diversos recantos fadistas.

Entre 1987 e 1993, ao serviço da Credilello faz várias deslocações ao estrangeiro aproveitando para acentuar a sua veia fadista, o que o levou a actuar nos seguintes locais:

USA> Para comemorar mais um aniversário do Clube Português de Ludlow, onde foi carinhosamente recebido, aproveitando para promover o seu trabalho discográfico com o título genérico “Paixão de Mel” tendo Eduardo Jorge e Angelo Jorge como músicos.

Bélgica> Restaurante O Barril” com Ana de Carvalho, José do Carmo, Leonor Santos, o guitarrista José Manuel Neto e o violista António Proença

Suíça> Café Lisboa - com Fernando Figueiredo, Mariana Correia, Lina Santos, Virgílio Franco, Carlos Nogueira, Carlos Santos, entre outros

De quando em vez voltava às casas de fado, registando passagens pelo SOLAR das CAVES, CANDEIA, COZINHA REAL do FADO, CANTINHO da TERESINHA, MAL COZINHADO, etc.

Aceitando o convite de José Pereira, quedou-se pelo Café Lisboa onde, juntamente com José Lopes “Zézito” criou o “Duo Cintilante” e passou a fazer animação nocturna conciliando a música ligeira com o Fado. Emprestou a voz e o talento poético a dois trabalhos discográficos do DUO CINTILANTE com os títulos Cancão da Cinderela e Sinfonia de Magia.

Entretanto grava o seu 2° trabalho discográfico com o título genérico "Coração de Portugal" voltando a contar com Eduardo Jorge e Angelo Jorge como músicos.

Em 1987 regressa a Portugal passando a conciliar o fado com diversas actividades profissionais, nomeadamente na área da publicidade ao serviço do jornalismo local.

Publicou pontualmente alguns artigos nos jornais, O Portucalense, Gazeta Lusófona, Notícias de Ermesinde, Voz de Rio Tinto e Povo de Portugal.

2003 é o ano de mudança radical para Genéve encetando uma actividade profissional na área da hotelaria, mas nunca abdicando da sua carreira enquanto cantor, passando a efectuar espectáculos para a comunidade portuguesa.

Desempenha um papel relevante na abertura do restaurante PAINEL do FADO na linda cidade de Genéve na Suíça.

Em 2006 reentra em estúdio para gravar o álbum “Setembro, jardim das palavras” que não foi oficialmente editado.

Em Julho de 2007, pela mão de Jorge Filipe, inicia uma modesta actividade radiofónica à qual se tem dedicado em prol do fado. É desde essa altura responsável pelo programa semanal BOCAS do FADO e da POESIA que teve início na extinta Rádio Camões e tem continuidade na RÁDIO ALMA LUSA. Este programa é difundido em simultâneo na Rádio PMA e passado em repetição na RÁDIO MIRA.

Sempre no sentido de servir o fado, criou em 2008 os blogues *FADOS do FADO* e *MÚSICAS TRADICIONAIS de FADO* com o objectivo homenagear autores, compositores, intérpretes, etc.

Em 2017 editou finalmente o seu livro de poemas com o título *SETEMBRO, JARDIM DO AMOR*.
Prefaciado pelo poeta Fernando Campos de Castro e editado por DANIEL GOUVEIA o livro foi apresentado ao público a 20.12.2017 no auditório do MUSEU DO FADO e a 29.12.2017 no auditório da JUNTA DE FREGUESIA DE CAMPANHÃ.

FADOS do FADO (letras de fados) http://fadosdofado.blogspot.com
FADOS TRADICIONAIS (musicas de fados) http://musicastradiconaisdefado.blogspot.ch
ALMA DA MINHA POESIA (blogue poético) http://josefernandesfado.blogspot.com


A luz dum grande amor

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Desliga a luz da tristeza
E dá-me a claridade
Desse teu olhar feliz
A cor da tua beleza
Tem a mesma intensidade
Do amor que eu sempre quis

Desliga a luz e sossega
Nos braços deste prazer
Que me sufoca no peito
Este peito que se entrega
Ao suave amanhecer
Deste nosso amor perfeito

Desliga a luz do luar
E vem comigo provar
Os sonhos da sedução
Em nome do amor profundo
Temos toda a luz do mundo
E o mundo na nossa mão

Março 2002

Vendaval de boa hora

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Mais voraz que um sol melhor / que tu me dês
Mais forte que um fado triste / que te cante
São as nuvens do amor / em que tu crês
Provando que o céu existe / lá distante
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Nuvens com o dom perfeito / redentor
De serem sempre tão belas / amorosas
E que nos pôem no peito / sonhador
O fulgor de mil estrelas / radiosas
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Olhando a lua brilhante / passageira
Posso bem imaginar / perdidamente
Frases de rima constante / verdadeira
Que de ti quero escutar / eternamente
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O amor que nos mantém / sem se gastar
Tem a força natural / arrasadora
Do vento que quando vem / sem avisar
Mais parece um vendaval / de boa hora
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Dezembro 2016

Amor sufocado

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Trazes poemas
No sorriso que me dás
Tal como a lua me traz
Motivos para sonhar
Trazes poemas
No beijo mais ternurento
Produzido pelo vento
Do teu doce respirar

Trazes contigo
A alma inteira dum fado
Todas as noites cantado
Pelo amor, em surdina
Trazes contigo
O timbre quase perfeito
Da voz que ao sair do peito
Sai muito mais cristalina

Só não me trazes
O sufoco acontecido
No tempo em que enlouquecido
Te procurei em desejo
E nem me trazes
Aquela certeza doce
Que fosse lá p'lo que fosse
Me sufocava num beijo

Agosto 2016

Sol de setembro

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De cada vez que o sol vem a Geneve
Para me dar o amor de que preciso
Eu sinto a minha cruz muito mais leve
E tenho o mundo todo num sorriso

De cada vez que o sol se vai embora
Levando toda a minha felicidade
Há sempre aquela luz motivadora
Que me ajuda a viver com a saudade

O sol deste setembro abrasador
Que brilha mesmo longe do meu céu
Tem o calor que tanto bem me traz

Talvez por ser o meu amor maior
Este sol que a vida-mãe me concedeu
É que me faz de quase tudo ser capaz


Outubro 2016