Poemas metrificados ( na sua maioria ) para Fado.

Saudosismo

Não sou saudosista mas tenho saudade
Do tempo em que a rua era o meu jardim
Jardim onde o tempo brincava à vontade
E a felicidade corria pra mim

O céu tinha a cor
Que eu lhe queria dar
Quando a luz do amor
Me vinha beijar

Não sou saudosista mas recordo bem
A bola a saltar no pátio da escola
O regresso a casa sabendo que a mãe
Me dava um abraço, pegando a sacola

O pai, ao chegar
Da lide que tinha
Via-me voar
Parecendo avezinha

Não sou saudosista mas queria voltar
Aos braços da mãe que tudo me deu
Braços onde pude sentir o pulsar
Dum amor maior que a terra e o céu

Amor onde havia
Um enorme espaço
Que tinha a magia
Do mais terno abraço

Não sou saudosista nem conservador
Pois sei bem que a vida tem de ter futuro
Nos dias que correm sinto que o amor
Continua igual, continua puro

Não guardo raízes
Mas vivo marcado
Por coisas felizes
Que já são passado.