Poemas metrificados ( na sua maioria ) para Fado.

Lei do fado, do amor e da vida

Perguntei ao fado amigo
Porque lhe chamam antigo
Mais antigo que a saudade
O fado disse: sou jovem
E os sonhos que então me movem
São todos da minha idade

Antigo é não ter noção
De que a voz do coração 
É um hino intemporal
Lei do fado é lei cumprida
Lei do amor é lei da vida 
Lei do tempo é transversal

Antigo nunca serei
Pois sempre caminharei 
À frente do meu destino
Quem quer estar a meu lado
Tem de se manter ligado
Ao sonho mais genuíno

Maldita dor

Oh maldita dor 
Que marcas presença
Trazendo a amargura 
Violentamente
Causadora-mor 
Da dor mais intensa
Que deixas escura 
A alma da gente

Sabemos que tens a vil crueldade
Usada a destempo de forma mordaz
E sempre que vens roubar felicidade
Trazes o tormento que tanto mal faz

Oh maldita dor, vai-te lá embora
E deixa comigo a minha verdade
Eu quero supor que a alma só chora
Porque tem consigo a luz da saudade

Maria Valejo

Esta MARIA que tem
Lugar na doce memória
Dum país de sangue novo
Merece, mais que ninguém
Lugar cativo na história
Do fado, canção do povo

Maria que sempre deu
Tudo o que tinha p'ra dar
Com talento que criou
Abriu as portas do céu
A quem soube decifrar
Os sucessos que cantou

Maria que perfumou
A alma de todos nós
Com perfumes de Alentejo
Foi magia que embalou
O fado, com doce voz
Grande MARIA VALEJO

Esta grande senhora (uma das minhas divas)
deveria chamar-se *MAGIA VALEJO*

Um pedido à saudade

Saudade, escuta este fado 
Que sempre canto a pensar
Na chama que tens acesa
Por ti cometo o pecado
De pôr a alma a chorar
Ao compasso da tristeza

Não sou em nada dif'rente
De quem sente bem o peso
Que tens na alma do tempo
Sou fruto dum acidente
Do qual escapei ileso
Mas ferido cá por dentro

Um acidente de amor
Que marcou a minha vida
E matou a felicidade
Por isso, faz-me um favor
Deixa-me d'alma ferida
E vai-te embora saudade

Musa acorrentada

Nos poemas que cultivo
Entendo o que a alma sente
E sinto o sonho mais vivo
Que a alma da minha gente

Sinto a musa acorrentada
Ao regaço da saudade
Por sentir o quanto arde
A chama descontrolada

Sinto a luz do paraíso
Dar cor às noites de breu
Enquanto estrelas, no céu
Relembram o teu sorriso

Dum amor mais do que tudo
Resta pouco, ou quase nada
Meu amor, meu grito mudo
Meu rio de água gelada

Olhos de ver melhor

Quando com olhos de ver
Vejo para além de mim
Sinto que chegou ao fim
O sonho de querer ser

Porque nem sempre, querer
É poder... e sendo assim
Vejo para além de mim
O que ninguém pode ver

Um dia, tudo vai ser
Como sempre imaginei
O mundo inteiro vai ter
A mesma força de lei

Até lá, sei que terei
Um tempo de longa espera
Fazendo da Primavera
O Verão que desejei

Quando com olhos reais
Vejo a essência da vida
Sinto quanto a despedida
Nos dá saídas normais

Sã leviandade

Sabendo a dimensão da voz que tenho
Limito a minha voz ao meu espaço
Sem temer as montanhas do fracasso
Sem suster tempestades que desenho

De quando em vez, perdido na cidade
Onde os poetas são gente vulgar
Liberto a minha sã leviandade
E vou de peito aberto, então, pecar

Peco sempre, quando olho sem limite
A figura da mulher que por mim passa
Também peco, quando em vez duma chalaça
Mosto o sorriso atrevido do convite

Peco até, quando mantenho a pretensão
De querer uma rua só p’ra mim
Sou igual ao sol ardente dum Verão
Que gostando de flores, queima o jardim

Minha saudosa primavera

Em cada verso que te dou e te consagro
Há sempre um sonho que não tem ponto final
Na minha alma de poeta, ainda trago
Recordações duma paixão intemporal

Dentro do peito, trago versos magoados
Simbolizando primaveras por vingar
E trago sonhos que foram despedaçados
Pela certeza, que daqui não vão passar

Eu quero ver nascer
O sol que faz viver
Sempre que aperto
A tua mão contra o meu peito
Estando sem ti, amor
Eu sou um fado em dor
Estando contigo
Sou um fado mais perfeito


No coração trago a imagem sonhadora
Da tua boca, soletrando o meu desejo
Trago no olhar uma vontade tentadora
De pôr estrelas na saudade do teu beijo

E nesta dor com que gerei este poema
Encontrarás um coração que te venera
Ai meu amor, minha paixão mais que suprema
Meu roseiral, minha saudosa primavera

Paixão ternurenta

Subindo contigo à lua
Numa nuvem ternurenta
O teu olhar insinua
Uma paixão violenta
Tão violenta, tão forte
Cheia de mel e feroz
Que chego a perder o norte
No rumo da tua foz

Saltando barreiras
Passando fronteiras 
Que a vida apresenta
Vamos colorindo
Este sonho lindo 
De paixão violenta
De abraço em abraço
Ganhei um espaço 
No teu coração
E de beijo em beijo
Aumenta o desejo 
De amor em paixão

O elo que nos uniu
Trouxe mais luz e mais cor
Decerto jamais se viu
Um amor com tanto amor
Somos dois parecendo um
Vivendo no mesmo fado
Amor igual a nenhum
Com o destino marcado

Coisas do amor

Nas coisas do coração
Com muita ou pouca paixão
Com mais fogo ou menos chama
Existe sempre um motivo
Pra que se mantenha vivo
O sonho que nos inflama

É no sonhar que consiste
A força de quem persiste
Na caminhada futura
E quase sempre é possível
Transformar um sonho incrível
Numa coisa bela, pura

Cada passo que o amor
Vai dando, leva a supor
Que o amanhã logo vem
Assim, de passo marcado
Cada um tem o seu fado
Nos fados que a vida tem

Cama fria do amor

Na cama fria aonde o fogo da paixão
Adormeceu com o silêncio do amor
Apenas eu mantenho a luz da ilusão
Porque não sei como lidar com esta dor

A noite cai e traz consigo a solidão
Que me algemou à grade fria da saudade
Quando adormeço tenho sempre a sensação
De que adormeço agarrado à felicidade

Mas na verdade, a felicidade é já passado
E o passado é a memória magoada
A cama fria do amor tem este fado
Que me conforta e me serve de almofada

Beija-mão

Na bravura, na coragem
Na doçura, na paixão
Na sedução da viagem
Nascemos e logo então;
Criamos a tal imagem
Que damos de beija-mão

Damos aquilo que temos
Mesmo pouco ou quase nada
E por vezes recebemos
Sorrisos d’alma rasgada;
O pouco que recebemos
Nunca é de mão beijada

Se mais não podemos dar
Se mais não podemos ter
Decerto temos o mar
Que nos faz estremecer;
Mar que nos faz naufragar
P’ra voltarmos a viver

O navio da saudade

O navio da saudade / conselheira
Navega no mar da alma / sonhadora
Nas marés da felicidade / mensageira
És tu a onda mais calma / sedutora

Tens contigo o doce bem
 / e o poder
De pacificar o vento
 / mais cruel
És sereia de ninguém
 / e por prazer
Controlas o sentimento
 / mais fiel

Tens na tua sedução
 / angelical
O perfume das marés
 / por navegar
Na raiz duma paixão / intemporal
Sou onda que já não vês... nesse teu mar

Já não tens sonhos reais... para sentir
Nem sequer tens nova cor / para agradar
Andas buscando corais / por descobrir
Nas profundezas do amor / por inventar

Sandra

Tudo em ti me fascina
Tudo em ti é paixão
És farol que ilumina
Os versos desta canção


Sei que vamos conseguir
A mais bonita união
Nascida do nosso beijo
Dia a dia vão surgir
Razões para o coração
Arder no nosso desejo

Sei que vamos decifrar
A cor da nossa verdade
No fogo da sedução
Diremos o verbo amar
Revestindo a felicidade
Através desta paixão

Letra de José Fernandes Castro 
Música de José Lopes (Zézito)
Gravado por Duo Cintilante

Outono do amor

O meu amor por ti, é folha triste
Pisada p’lo outono do amor
A minha primavera não existe
Nem sequer o verão tem mais calor

O meu amor por ti, é um inferno
Que queima da maneira feroz
Agora, sou a marca dum inverno
Que teima em regelar a minha voz

O meu amor por ti, é tempestade
Que não tem hora certa p’ra chegar
Às vezes, chega tarde, muito tarde
Trazendo a solidão e o penar

Agora não consigo controlar
A dor, que não me deixa sossegado
E neste amor que tenho p’ra te dar
Apenas resta a alma do meu fado

Graças a ti, sou poeta

Confessei segredos meus
Ao luar encandescente
Que faz de ti uma estrela
E com a benção dos céus
Fiz de ti um sol poente
Visto da minha janela

Depois, confessei ao vento
Os segredos escondidos
Duma aguarela sem cor
Pela voz do sentimento
Cantei versos proibidos
Em nome dum grande amor

Foi com a alma aberta
Que gerei nova ternura
Nas margens do pensamento
Graças a ti... sou poeta
Graças a ti... sou loucura
Meu amor em movimento

Quero

Não te posso dar o mundo
Não te posso dar o céu
Mas posso dar-te num beijo
O que ninguém mais te deu

Não te prometo roseiras
Nem cravos de rubra côr
Te prometo horas inteiras
Trocando amor com amor

Quero
Ser feliz contigo
Não temo o perigo
De enfrentar o mundo
Quero
Mil beijos te dar
P’ra simbolizar
O nosso amor profundo


Beijos perdidos nos lábios
Bocas pedindo mais beijos
Dou-te a riqueza dos sábios
Dou-te o sal dos meus desejos

Não te vou dar incertezas
Porque tu isso não queres
Não vou dar-te a minha vida
Mas dou-me a ti, se quiseres

Letra de José Fernandes Castro 
Música de José Lopes (Zézito)
Gravado por Duo Cintilante

Primavera do amor

A primavera do amor
Para mim, foi em Outubro
Conheci uma flor
Que pôs minha alma ao rubro

Senti a voz do desejo
Falar da sua paixão
Senti o calor do beijo
Queimar o meu coração

Oh Sandra, oh Sandra
Oh Sandra, minha flor
Oh Sandra, oh Sandra
Tu és o meu grande amor

Quero sentir o prazer
De tê-la sempre a meu lado
Com ela irei conhecer
O paraíso encantado

Não quero que ela esqueça
Que dentro de mim está
Quero apenas que mereça
O sol do meu amanhã

Letra de José Fernandes Castro 
Música de José Lopes (Zézito)
Gravado por Duo Cintilante

Tenho

Eu já não sei se ainda me amas
Eu já não sei se ainda te quero
Eu só sei que tu me chamas
O teu amor sincero


Tenho...
Mil segredos p’ra te dar
Na força do teu olhar
Tenho o sol da primavera
Tenho...
Mil marés de tempestade
E no fogo da verdade
Tenho sonhos de quimera

Tenho...
Mil desejos de te ver
E o gosto do teu prazer
Faz de mim o teu amante
Tenho...
Um coração a sofrer
Com medo de te perder
Sente o fim a cada instante

Letra de José Fernandes Castro
Música de José Lopes (Zézito)
Gravado por Duo Cintilante

Grito avassalador

Vou fazer desta paixão / quase voraz
Um sopro de liberdade / abençoada
Para que a luz da saudade / enfeitiçada
Seja um enorme clarão / cheio de paz

Vou fazer deste poema / sonhador
A alma dum fado novo / genial
Porque sei que vale a pena / meu amor
Rebuscar o teu passado / intemporal

Vou fazer desta canção / madrugadora
Um grito avassalador / e desmedido
Para que a tua emoção / confrangedora
Sinta compassos d’amor / correspondido

Quando a neve desta vida / acidentada
Nos trouxer a outra cor / e a outra idade
A minh’alma agradecida / e já cansada
Buscará o teu amor / numa saudade

Dança do amor total

Quando a noite vai alta
A lua não descansa
Sentindo que lhe falta
O prazer de uma dança;
Dois corpos bem cingidos
Em doces rituais
Dão como permitidos
Os pecados normais

A noite lá caminha
Em direção segura
E logo se adivinha
Um clarão de ternura
Ternura que se troca;
Ao compasso do beijo
Formando uma só boca
Em nome do desejo

Nesta dança tempestiva
Tão sedutora, tão nossa
Nada há que se não diga
Nada há que se não possa

A rua e o velho Zé

A rua foi o lar abençoado em dor
Aonde o velho Zé guardou a esperança
Nada tinha p'ra dar além daquele amor
Que mantinha de pé os sonhos de criança

Assim, o velho Zé, irmão da pouca sorte
Gozou sem liberdade o sol da meninice
Sempre agarrado à fé que o tornou mais forte
Gastou a mocidade ao ganhar a velhice

Histórias como esta, há muitas p'ra contar
Na vida que se tem, acidentada e pobre
Só as almas em festa irão comemorar
O amor, o maior bem de quem sabe ser nobre

Amor sem preço

Quero esquecer
Nosso amor d'outrora
P'ra ninguém saber
O que sinto agora

Quero esquecer
Que meu amor existe
P'ra ninguém saber
Porque sou tão triste

Quero ocultar
A minha tristeza
P'ra ninguém notar
A minha incerteza

Enquanto vou sonhando
Com o teu regresso
Vou-te dedicando
Um amor sem preço

Letra de José Fernandes Castro
Música de José Lopes (Zézito)
Gravado por Duo Cintilante

Paixão de mel

Apesar de tudo 
Nosso amor foi louco
Foi amor a medo
Mas amor sincero
Um amor assim 
Sabe sempre a pouco
No próximo encontro
Ainda mais te quero

Quero que me queiras 
Com mais desespero
Quero que me dês 
O amor que mereço
Beberei o sumo 
Do amor que venero
Gritarei ao mundo 
Este amor sem preço

Pedirei ao sol 
Calor de magia
Roubarei ás flores 
A cor e o condão
Rogarei à vida 
Mais um louco dia
P’ra beber contigo 
O mel da paixão

Letra e música de José Fernandes Castro
Gravado por Duo Cintilante

Madrugada sem tempo certo

A madrugada é uma flor que quer abrir
Para dormir nos braços firmes do amor
A madrugada nunca tem pressa em partir
Se a luz do fado for a sua melhor cor

A madrugada quando vem à hora certa
Sabe que tem todos os fados que quiser
Encontra sempre um verso novo que desperta
Todos os sonhos que esta vida pode ter

Sem tempo certo para amar ou ter saudade
Nunca rejeita uma promessa colorida
A madrugada é um balão de felicidade
Voando livre sobre o céu da nossa vida

Carta para o “talvez” além

Querida e saudosa mãe
Querido e saudoso pai
A vida rola, porém
Vai mal, podem crer que vai

Faz tempo que recebemos
Uma infernal pandemia
E por ela padecemos
Hora a hora, dia a dia

Covid, é como se chama
Esse inimigo feroz
Que covardemente inflama
A vida de todos nós

A vida que não vos deu
Benesses nem regalias
Decerto deu-vos o céu
E todas as mordomias

Quero crer que existe além
Porque vocês existiram
E com amor construíram
Um mundo de amor e bem

Quero crer que qualquer dia
Seja lá aonde for
Vamos sentir a magia
Dum grande e eterno amor

O fascínio

Na hora do meu sol em declínio
É minha a tua lua em ascendente
E reparto contigo o meu fascínio
Num abraço feliz, tão envolvente

Decifro aquela voz celestial
Que o tempo musicou para nós dois
E sinto no teu fogo triunfal
A ternura que virá pouco depois

Dá-me a tua doçura
Que eu dou-te a minha ternura
Dá-me a força do beijo
Que eu dou-te o sabor do desejo


Descubro mil segredos de magia
Na paz do teu sorriso encantador
E assim vamos vivendo dia a dia
O encanto fascinante do amor

Letra de José Fernandes Castro 
Música de José Lopes (Zézito)
Gravado por Duo Cintilante

Percurso

Tanto andei, tanto aprendi
Tanto lutei e por fim
Não vivo perto de ti
Mas sei que vives em mim

Vives em mim de tal jeito
E de forma tão constante
Que fazes com que meu peito
Seja cama aconchegante

Aconchegante e perfeita
Para quem sabe o valor
Do corpo que se deleita
Sempre que o sonho tem cor

Por tudo o que me tens dado
Dou-te tudo o quanto sou
Na minha alma és o fado
Ao qual inteiro me dou

O fado tem nome

Quando a saudade nos dói
É porque o amor se foi
Sem anunciar partida
Deixando por cá ficar
A saudade a soluçar
Histórias da nossa vida

Quando a saudade nos dói
É porque a mágoa destrói
O que a vida construiu
Castelos desmoronados
Tristes e abandonados
Desde que o amor partiu

Porém nem tudo é lamento
Pois a alma tem lá dentro
Versos que nos fazem bem
Quando a saudade aparece
Qualquer fado que acontece
É sempre um nome d'alguém

O desencanto

Não iremos jamais 
À cidade encantada
Onde juntos vivemos 
Uma linda paixão
Não iremos jamais 
Ouvir a madrugada
Despertar louco amor 
Em nosso coração

Não iremos jamais 
Ver a noite do sonho
Que marcou nosso tempo 
Com horas de verdade
Não iremos jamais 
Ler versos componho
P’ra te falar de vida 
E de felicidade

O amor acabou
E marcou a minha alma
Com a cor do pranto
O amor acabou
E deixou ficar em mim
O desencanto


Não iremos jamais 
Sentir o pensamento
Soletrar nosso nome 
No fascínio do beijo
Não iremos jamais 
Reviver o momento
Em que saboreamos 
O sabor do desejo

Letra de José Fernandes Castro
Música de J.Hervé Villard (Capri c'est fini)

Noite de encanto

Olho o céu e vejo a lua
Olho a terra e vejo o mar
Por detrás da noite nua
Vejo o meu amor passar

Passa com ar sorridente
E a caminhar continua
E eu, distraidamente
Olho o céu e vejo a lua

Querida
Eu amo-te tanto
Que esse teu encanto 
Embarga-me a voz
Querida
Sei que não te esqueço
E sei que mereço 
Ficar contigo a sós

Existe um sol que me aquece
Nas estrelas a brilhar
E quando a lua adormece
Olho a terra e vejo o mar

Nesse horizonte encantado
Vejo o barco que flutua
E sinto o mundo acordado
Por detrás da noite nua

Letra de José Fernandes Castro 
Música de José Lopes (Zézito)
Gravado por Duo Cintilante

A noite do cansaço

A saudade emoldurada
P'lo arvoredo calado
Do Vasco, seu trovador
Vagueia na madrugada
Sempre embalada plo fado
Que se canta com amor

A noite que o Vasco amou
Foi leito onde descansou
Cansaços d'amor fatal
Porque a noite também tem
Poemas onde ninguém
Rejeita o verso final

Ser da noite um filho noite
É merecer um acoite
No abraço genuíno
A noite tem o poder
De apagar e acender
A luz do próprio destino

Às ordens do coração

Às ordens do coração
Vives tu, naturalmente
Sem mostrar a toda a gente
A dor que na alma tens
Às ordens do coração
E fazendo o que ele quer
Sem que possas entender
Onde vais e donde vens

Às ordens do coração
Da forma que te é possível
Lá vais tornando invisível
O sufoco que em ti mora
Às ordens do coração
E às ordens da própria vida
Vais em passo de corrida
Buscar uma nova aurora

O coração 
Manda sempre mais que nós
E controla a bel prazer
Os passos que vamos dando
O coração
Em sintonia co’a voz
Faz o fado acontecer
Enquanto vamos sonhando

Metas e pesadelos

Um sonho quando é grande ou é fugaz
Abrange qualquer alma que o cultive;
O peito sonhador sabe que vive
E o coração, por bem, sabe o que faz

O amor vai compassando a emoção
Que vem, sempre que a dor é bem maior;
E sempre que a saudade tem mais cor
A luz tem mais fulgor, mais clarão

Sonhando se constroem mil castelos
Mas nem sempre a firmeza é a mais certa
Há sonhos que jamais chegam à meta
E há metas que parecem pesadelos

Minha princesa

Vou chamar-te princesa
No meu sonho encantado
Quero a tua beleza
Quero ter-te a meu lado


Boa noite meu amor
Deixa-me entrar por favor
Nos teus sonhos de princesa
Quero dar-te o meu calor
Roubar-te todo o esplendor
Gozar a tua beleza

Quero a teu lado sonhar
Com estrelas com luar
Com aves e primavera
Sonhar que o mundo és só tu
Sonhar o teu corpo nu
E uns braços à minha espera

Letra de José Fernandes Castro
Música de Jose Lopes (Zézito)
Gravado por Duo Cintilante

Garotinha

O teu olhar cintilante
Luzindo, faz-me sonhar
Garotinha deslumbrante
A vida te vai amar


Tens mil poemas d’espanto
No teu sorrir radiante
É dono do sol do encanto
O teu olhar cintilante

Estes versos que componho
São meu modo de rimar
Esse teu olhar de sonho
Luzindo, faz-me sonhar

Tens marca de liberdade
No teu viver tão marcante
Mereces felicidade
Garotinha deslumbrante

Nessa fase tão florida
Com sonhos por realizar
Se te dedicares à vida
A vida te vai amar

Letra de José Fernandes Castro 
Música de José Lopes (Zézito)
Gravado por Duo Cintilante

Canção da Cinderela

Na rua aonde tu moras
Meu pensamento flutua
E eu vou gastando as horas
Ao passar na tua rua

Passo tempos infinitos
Defronte do teu jardim
P’ra ver teus olhos bonitos
Que às vezes olham p’ra mim

Oh Cinderela
Oh Cinderela
Oh Cinderela
És a minha boa estrela

Qualquer dia te darei
A mais perfumada flor
E com ela te farei
Uma promessa d’amor

E depois, de mão na mão
Agarradinhos e sós
Inventarei, porque não?
Uma rua só p’ra nós

Letra de José Fernandes Castro 
Música de Jose Lopes (Zézito)
Gravado por Duo Cintilante

Assim vai a vida

A vida nem sempre corre bem
O céu não tem sempre a mesma cor
Decerto que não há ninguém
Que não conheça o sabor da dor

A vida passa sempre a correr
De cá para lá, de lá para cá
E nós vivemos sem chegar a ver
A cor feliz do sol do amanhã

Assim vai a vida, a
ssim vai a vida
Assim vai a vida 
Nesta fúria desmedida
Assim vai a vida, a
ssim vai a vida
Assim vai a vida 
Nesta louca corrida

Letra e música de José Fernandes Castro
Gravado por Carlos Pinto

Aos meus guardiões

Quero dar-vos, montanhas de ternura
Neste simples poema de louvor
Quero dar-vos, mais sol e noite pura
P’ra vos manifestar o meu amor

Quero dar-vos mil versos sem pecado
Rimando amor de Pai, com gratidão
Quero dar-vos um fado bem cantado
Rimando amor de Mãe, com devoção

O vosso amor é meu verão
Eu sou a flor da vossa paixão


Quero gritar bem alto esta paixão
Que me vai confortando dia a dia
Gritarei com a voz do coração
Hinos de paz, louvor e alegria

À vida, p’ra vocês, eu só lhe peço
Existência feliz e prolongada
Vocês, são para mim, o universo
Eu sou a vossa estrela apaixonada

Letra de José Fernandes Castro 
Música de Jose Lopes (Zézito)
Gravado por Duo Cintilante

Amor muito tarde

Volta p’ra mim amor
Volta p’ra mim
Volta p’ra mim 
Que eu não sei viver assim

É na tristeza das horas
E no chegar da saudade
Que sinto que te demoras
Neste amor já muito tarde

Procuro o ar que respiras
P’ra te encontrar mais depressa
Procuro a dona da sombra
Em que o meu amor tropeça

Corro a vida ponta a ponta
Sempre à procura de ti
Até já perdi a conta
Da vida que percorri

Volto ao ponto de partida
Com o coração desfeito
E mais um pouco de vida
Morreu, neste amor perfeito

Letra de José Fernandes Castro
Música de José Lopes (Zézito)
Gravado por Duo Cintilante

Soneto para cem

Nas folhas do teu livro mensageiro
Encontrei mil pedaços de paixão
Meu bom amigo, poeta e companheiro
Foi bom ouvir falar teu coração

Senti o respirar da tua voz
Em cada pensamento versejado
Até senti o sonho mais atroz
Que fez de ti, lamento consumado

A vida reservou para te dar
Uma paixão sem tempo p’ra durar
Mas que vai perdurar na tua dor

Porém a solidão também te deu
O dom dum verso que t’enalteceu
E pelo qual... eterno é o amor!

Tributo à memória do meu saudoso amigo
ALFREDO MANUEL e aos seus 100 Sonetos.

Inseparáveis

O fado e a saudade agarram sempre o jeito
De viver lado a lado em comunhão total
Com naturalidade entranham-se no peito
De quem faz do pecado um fado original

O fado tem consigo o que a saudade quer
Um poema com voz e alma até mais não
É sempre um bom amigo e tem pra oferecer
A cada um de nós a voz do coração

A saudade é a luz do nobre sentimento
Que o poeta só usa ao compasso da dor
Uma pesada cruz retratando o momento
Em que serve de musa aos versos do amor

A saudade e o fado em rima colorida
São sempre a perfeição que o poeta gerou
A saudade e o fado agarram-nos à vida
E ao fogo que o amor no peito nos deixou

Saudação diurna

Bom dia sol, bom amigo
Dos que vivendo contigo
Não sabem o que é luar
E sequer conhecem bem
Pecados que a noite tem
Para quem souber amar

Porque tu sol, só nos dás
Horas de paixão fugaz
E de sufoco medonho
Por muito que nos aqueças
E que até nos adormeças
Nunca nos trazes um sonho

Desculpa, mas penso assim
E se estás perto de mim
Da noite tenho saudade
Sendo o meu fado noturno
Dispenso o fulgor diurno
Detesto claridade

Saudação noturna

Olá noite, sê bem vinda / como sempre
Passei o dia ansioso
 / à tua espera
Cada vez estás mais linda
 / e envolvente
Teu luar é mais charmoso
 / do que era

Quando chegas trazes fado
 / em dose certa
Quando partes deixas rasto
 / de saudade
Aconchego-me acordado
 / de alma aberta
Sabendo que me desgasto
 / em felicidade

Poema atrás de poema
 / e o brilho cresce
Cantiga atrás de cantiga
 / e o peito chora
Serás sempre o doce tema
 / que enternece
Serás sempre a luz amiga
 / que se adora

Dizer-te olá é sentir
 / sempre presente
Esta voz do coração
 / que sempre tive
Perdoa, mas vou dormir
 / tranquilamente
Pra descansar a paixão
 / em sonho livre

O velho outono

O velho outono invadiu a minha vida
Hoje sou folha caída, abandonada
O velho outono desfez um amor perfeito
E colocou no meu peito, mais madrugada

Murcharam sonhos, murchou também o amor
E hoje sou uma flor ao abandono
Murcharam beijos da mais rara singeleza
E hoje grito com tristeza, chegou o outono

Já não tenho
A noção do meu tamanho
E já nem sei donde venho
Nem onde vou
Já nem sei
Qual a voz com que me dei
Porque o fado que cantei
Ninguém escutou;
No entanto
Eu quero que este canto
Afaste de mim o pranto 
Que me faz dor
Quero ter o calor natural
Do outono real 
Deste grande amor

Não sei sequer, qual a cor do amanhecer
Pois não sei reconhecer o meu luar
Nem sequer sei, porque caminhos andei
Quando em vão te procurei, sem te encontrar

Talvez um dia, haja um verão de magia
Que traga a tal fantasia, que eu sempre quis
Talvez a vida, tenha a hora prometida
P’ra que minh'alma ferida, seja feliz