Tudo terá sido em vão
Quando o nosso coração
For vazio, frio e fútil
Porque...
No dia em que se perderem
Todos os sonhos da vida;
No dia em que se vencerem
Os medos da despedida;
No dia em que enternecerem
Os olhos de quem s’espanta;
No dia em que humedecerem
Os lábios d’algém que canta;
No dia em que acontecerem
Todas as coisas bizarras;
No dia em que não se derem
Novas cordas às guitarras;
No dia em que arrefecerem
Os sentimentos mais nobres;
No dia em que não quiserem
Dar o pão aos que são pobres;
Tudo terá sido inútil
Sem conta, peso ou medida
E o coração da vida
Será cada vez mais fútil