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Este site contém versos // De variado sabor // São sentimentos dispersos / Refletindo a minha cor !!!

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* Blogue especialmente dedicado à minha filha *Marta Castro *a razão da minha vida *
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Enquanto a noite não vem

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Enquanto a noite não vem
Vou usando por suporte
O clarão da luz do dia
Porém o dia não tem
Estrelas de boa sorte
Carregadas de magia

Nem estrelas nem luar
Nem brilhos para adornar
Ruas onde o fado mora
O dia parece intenso
Porém não é tão imenso
Como a noite trovadora

Enquanto a noite não chega
O coração não se entrega
Às melodias da voz
Assim vai passando o tempo
À espera do momento
Em que o fado somos nós

Porém quando a noite vem
Não há nada nem ninguém
Que nos leve a outro lado
A noite é estrada certa
Que nos leva à descoberta
Dum reino onde o rei é fado
 


A guitarra e a sua voz

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Notas são como oração
Duma guitarra em poesia
Rimadas em sintonia
Com a voz do coração

Sem que seja necessário / Que o fado resida em nós
O talento imaginário / Vai pondo fado na voz
Assim… quando estamos sós / Soletrando o verbo amar
Sentimos na alma entrar / Uma sustentada amarra
Quase em forma de guitarra
Que muito tem p’ra contar

P’ra que se faça magia / Basta somente, em paixão
Possuir um coração / Onde caiba a fantasia
Há versos na melodia / Da guitarra portuguesa
Mesmo em sadia tristeza / Com vontade de chorar
Tocando como quem reza
E pondo a alma a falar

Notas são como poesia
Duma guitarra feliz
Rimadas em sintonia
Com a alma do país

Tributo saudosista ao Fado

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Para entender melhor o sentimento
Que a poesia dá em rima ou prosa
Queria ter vivido nesse tempo
Do Carlos Conde e do Linhares Barbosa;
E também d’outros poetas de craveira
Radamanto e Gabriel de Oliveira
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Para entender melhor o tal talento
Que só tem quem já nasce abençoado
Queria ter vivido nesse tempo
Em que o Farinha era o próprio fado;
O Manuel de Almeida já dizia
Que do fado, não era quem queria
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Queria ter vivido nesse tempo
Em que Vieitas, Peres e Gabino
Carlos Ramos, Tristão e Natalino
Cantavam encantando o próprio vento;
Do tempo do António baladeiro
Do Vicente e do Afredo Marceneiro
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Queria ter vivido nesse tempo
Em que Tony, Mourão e Chico Zé
Conseguiam agitar e pôr de pé
O povo, em perfeito encantamento;
Do tempo em que o Max e o fado
Passeavam quase sempre lado a lado
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Mas sou do tempo do grande Maurício
Carlos do Carmo, Zel e Pelarigo
Rodrigo que andará sempre comigo
Nesta união de amor, feitiço-vício;
António Rocha e Nuno de Aguiar
Que ao fado muito têm para dar
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Sou do tempo do grande Camané
Do Pedro e do Hélder, seu irmão
Do Ricardo Ribeiro, porqu’ele é
Suporte do amor à tradição;
Do Daniel Gouveia, professor
Do Jorge, que já é Comendador
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Falando novamente em poesias
O mote com o qual cheguei aqui
Direi que sou do tempo do Ary
De Raínho, de Tiago e João Dias;
Do tempo em que muitos, muitos mais
Sendo tão desiguais, são imortais
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Talvez a inspiração volte a aparecer
Pra que possa falar, entusiasmado
Nas vozes femininas que a meu ver
Perfumaram de amor o nosso fado;
Berta Cardoso, Celeste, Beatriz
Lucília, Amália, fado de raiz
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Argentina, Valejo, Nazaré
Maria Armanda e Maria da Fé
Maria Portugal, José da Guia
Leopoldina e Fernanda Maria;
Existem outras mais que foram santas
Existe fado em muito mais gargantas
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Nomes de enorme grandeza // P'la nobreza, p'la firmeza 

E p'la beleza maior
Consagrados justamente // Por quem sente ainda presente

Essa gente de valor
Gente a quem o fado deve // O que teve e o que não teve 

Em nome dum grande amor
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05 de Março de 2019
Os nomes que não constam deste tributo são suficientes para muitos mais tributos !!!

Tempo a destempo

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O tempo que me foi oferecido
Não é o tempo certo que sonhei
Confesso que adorava ter vivido
No tempo em que o amor fazia lei

Confesso até que o tempo que me deram
Me trouxe mais tristezas que alegrias
Apenas os meus fados me trouxeram
Razões para aquecer emoções frias

O tempo pouco vale, se por dentro
Sentimos solidões castigadoras
Que fazem com que o sol do sentimento
Nos brinde com manhãs desoladoras

Este tempo a destempo sem glória
Será sempre uma história a florescer
Talvez seja guardado na memória
De quem não usa o tempo pra viver

Saudade... escuta-me

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Saudade, verso bendito / amor presente
Digo com sinceridade / em oração
Tudo o que deve ser dito / abertamente
Em nome da liberdade / que me dão

Liberdade que não tenho / nem conheço
Porque tu, vives comigo / e fazes lei
Como forma de castigo / que mereço
Pelo amor sem tamanho / que plantei

Sem tamanho, sem medida / sem alento
Sem presente, sem futuro / sem passado
Onde o sonho é tão escuro / e violento
Que até rouba luz à vida / do meu fado

Por tudo isto, saudade / escuta bem
Apetece-me dizer / sinceramente
Que gostava de poder / ir mais além
Transformar-te em felicidade / permanente

Noite fria do meu fado

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Tentei gostar de ti, ó noite que me cegas
Tentei até saber porque és assim tão fria
Tentei, não consegui, por isso, quando chegas
Sei que me vens encher de muita poesia

Tu vens sempre que o fado encontra um doce leito
Para dornir sereno em camas de verdade
Trazes sempre um passado aceso e tão perfeito
Que tornas mais pequeno o tempo da saudade

Não sei compreender a tua alma fria
Nem sei se a tua a cor é igual à que tenho
Mas não quero perder esssa doce magia
Que faz do teu amor, um tempo sem tamanho

Fados diferentes

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Despertas quando adormeço
Adormeces quando acordo
Choras se não apareço
Mas se apareço, incomodo

Fazes birra quando parto
Quando fico fazes troça
Já começo a ficar farto
De puxar tanta carroça

Não me queres longe de ti
Perto de ti, também não
Confesso que já perdi
O rumo e a direção

Sendo assim, acho melhor
Cada um ir p’ra seu lado
Entre nós não há amor
Cada um tem o seu fado

Coisas do amor

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Nas coisas do coração          
Com muita ou pouca paixão
Com mais fogo ou menos chama
Existe sempre um motivo
Pra que se mantenha vivo
O sonho que nos inflama

É no sonhar que consiste
A força de quem persiste
Na caminhada futura
E quase sempre é possível
Transformar um sonho incrível
Numa coisa bela, pura

Cada passo que o amor
Vai dando, leva a supor
Que o amanhã logo vem
Assim, de passo marcado
Cada um tem o seu fado
Nos fados que a vida tem  

Sorte permanente

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Há quem não saiba que o fado
Cantado, dito, ou tocado
É brado da alma em flor
Mistério quase perfeito 
Do peito que, satisfeito 
Tem o jeito do amor

Existe até quem maldiga
A cantiga... e não consiga
Que a intriga tenha voz
Fado é sorte permanente 
De quem sente a dor pungente 
Permanentemente em nós 

Quem quiser então saber
O poder e o prazer
Que pode haver nesta sorte
Abra o peito ao sentimento
No momento em que o alento
É vento soprando forte

Não sei se sabes

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Não sei se sabes, mas a cor que tem o céu 
É o espelho que retrata fiélmente
O dom celeste onde a beleza se perdeu
Quando ganhou a luz feliz do sol poente

Não sei se sabes, mas o mar encapelado
Com ondas bravas desmaiando em areal
Parece a história dum amor acelarado
Que sendo forte, nunca foi intemporal

Não sei se sabes que o capricho do destino
Conduz por si qualquer destino caprichoso
Um grande amor, mesmo que seja genuíuno
Pode acabar do jeito mais misterioso

Nã sei se sabes que este fado foi escrito
Para que saibas quando vale a despedida
Qualquer manhã que torne o dia nais bonito
Acabará sempre que a noite desça à vida

A marcha real da vida

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Na marcha real da vida
Não há certezas futuras
Na hora da despedida
A coragem da partida
Tem o sal das desventuras

Na marcha real do tempo
Não há destinos iguais
A dor que gera tormento
Põe no nosso pensamento
A força dos vendavais

Na marcha do amor perfeito
O tempo não tem idade
Na solidez do meu peito
Há sopros que não rejeito
Porque me dão felicidade

Na marcha do amor veloz
São enormes os desejos
Amando, tal como nós
Os sonhos não estarão sós
Nesta solidão de beijos

A luz dum grande amor

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Desliga a luz da tristeza
E dá-me a claridade
Desse teu olhar feliz
A cor da tua beleza
Tem a mesma intensidade
Do amor que eu sempre quis

Desliga a luz e sossega
Nos braços deste prazer
Que me sufoca no peito
Este peito que se entrega
Ao suave amanhecer
Deste nosso amor perfeito

Desliga a luz do luar
E vem comigo provar
Os sonhos da sedução
Em nome do amor profundo
Temos toda a luz do mundo
E o mundo na nossa mão

Praia do tempo

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Na velha praia do tempo
Há uma onda feroz / Que teima em não desmaiar
A voz soberba do vento
Nem sequer chega a ser voz / É apenas suspirar

As areias são o chão
Aonde irá repousar / A memória duma vida
Há uma velha embarcação
Que teima em não flutuar / Na onda desfalecida

A noite vem, lentamente
Trazer a luz natural / Que antecede a madrugada
Há um brilho diferente
Que nos diz que o vendaval / Vai chegar, não tarda nada

Enquanto o luar perdura
Uma onda caprichosa / Enfrenta a fúria do mar
Uma noite, mesmo escura
Tem a cor harmoniosa / Que a vida lhe soube dar

A luz dum grande amor

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Desliga a luz da tristeza
E dá-me a claridade
Desse teu olhar feliz
A cor da tua beleza
Tem a mesma intensidade
Do amor que eu sempre quis

Desliga a luz e sossega
Nos braços deste prazer
Que me sufoca no peito
Este peito que se entrega
Ao suave amanhecer
Deste nosso amor perfeito

Desliga a luz do luar
E vem comigo provar
Os sonhos da sedução
Em nome do amor profundo
Temos toda a luz do mundo
E o mundo na nossa mão

Março 2002

Vendaval de boa hora

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Mais voraz que um sol melhor / que tu me dês
Mais forte que um fado triste / que te cante
São as nuvens do amor / em que tu crês
Provando que o céu existe / lá distante
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Nuvens com o dom perfeito / redentor
De serem sempre tão belas / amorosas
E que nos pôem no peito / sonhador
O fulgor de mil estrelas / radiosas
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Olhando a lua brilhante / passageira
Posso bem imaginar / perdidamente
Frases de rima constante / verdadeira
Que de ti quero escutar / eternamente
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O amor que nos mantém / sem se gastar
Tem a força natural / arrasadora
Do vento que quando vem / sem avisar
Mais parece um vendaval / de boa hora
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Dezembro 2016