* Esta minha poesia * Simples como o meu valor * São os sopros da magia * Com que descrevo o amor *
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Dedico este blogue aos que me compreendem... aos que me aceitam com defeitos e virtudes... aos que me ajudam a existir e a SER FELIZ...
Blogue especialmente dedicado á minha filha!
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Visite o blogue > FADOS do FADO > http://fadosdofado.blogspot.com/
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*LIVRO de VISITAS*
A ausência do LIVRO é a unica forma de evitar que pessoas mal formadas possam *covardemente* descarregar frustrações

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... os poetas escrevem para a voz do povo ...
se gosta d'algum dos 300 temas que aqui publiquei, e se entende que a minha poesia é digna da sua alma fadista, não hesite...
CANTE-ME
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Cara de sonho

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Tens cara de sonho / Qual desassossego
Teu olhar medonho / Castiga o meu ego

Tens corpo de fogo / Tens voz de pecado
És trunfo de um jogo / Que se quer jogado

Tens para me dar / Sorrisos de vento
Fazendo alegrar / O meu pensamento

Sabes quanto é bom / Amar por amar
Porque tens o dom / De fazer sonhar

Tens modos de fada / Tens luz de trovão
És alma encantada / Eu sou perdição

Tens força e futuro / Tens fome e desejo
Procuro, procuro / Mas nunca te vejo

02 de Março de 2012

Seria bem melhor

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Seria bem melhor que fosses lua
Seria bem melhor que fosses cor
Seria até melhor que fosses flor
Plantada no jardim da minha rua

Seria bem melhor que fosses voz
Dum verso que bailasse no meu fado
Talvez fosse melhor que só por nós
Houvessem mais poemas sem pecado

Talvez no aconchego do meu peito
Dormisses como dormem as saudades
Talvez na emoção das liberdades
Tu fosses um poema mais perfeito

Porém, nada será como desejo
Porém, nada terá a tua cor
Seria bem melhor um longo beijo
Seria bem melhor um grande amor

Março de 2012

A noite do nosso amor

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A noite do nosso amor
Já não tem a mesma cor
Nem corre já, tão veloz
Perdeu o mel da doçura
Que nos levava á loucura
Quando o mundo éramos nós

Tomada p’la solidão
A noite perdeu paixão
E vai morrendo sozinha
A noite do nosso amor
Perdeu luz, perdeu fulgor
Já não tem a cor que tinha

O nosso amor de vulcão
Saudosa recordação
Dum passado arrasador
Transformou-se em nostalgia
Porque perdeu a magia
Da noite do nosso amor

Lobo solitário

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Vesti a pele dum lobo solitário
Que vive num profundo afastamento
Vesti também um sonho imaginário
E assim alimentei o pensamento

Sou fera que não desce ao povoado
Com medo da maldade que lhe dão
Não sou lobo perdido nem achado
Na fúria duma selva em depressão

Sou apenas uma espécie de faminto
Na selva do poder em abundância
Longe do povoado é que me sinto
Viver a sensatez da ignorância

Talvez o coração bata

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Talvez um dia, quem sabe
Aconteça uma paixão
Das que toda a alma quer
Dessas onde apenas cabe
O bater dum coração
Com mil razões p'ra bater

Talvez um dia aconteça
A mudança natural
Que qualquer paixão provoca
Antes que o sonho arrefeça
Talvez um beijo fatal
Me fique a bailar na boca

Talvez eu venha a saber
Porque razão, o amor
Nem sempre nos leva ao céu
Talvez eu venha a morrer
Pela falta do calor
Que a paixão nunca me deu

08.02.2012

Silêncio de fado

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Este silêncio...
Que tanto fado traduz
È uma nuvem de luz
Projectada em todos nós
Este silêncio...
Berço da melhor poesia
Tem laivos de melodia
Nas melodias da voz

Este silêncio...
Que nos embala por dentro
Tem o doce encantamento
Que faz despertar o amor
Este silêncio...
Tem consigo a liberdade
De fazer com que a saudade
Tenha sempre melhor cor

Este silêncio...
A fazer lei no meu peito
È o prémio mais perfeito
Que o fado merece ter
Este silêncio...
Mensageiro peregrino
È o clarão mais divino
Da alma que quer viver

Fevereiro 2012

António Aleixo

Homenagem ao rei dos poetas populares > ANTÓNIO Fernandes ALEIXO
Vila Real de Santo António, 18-02-1899 / Loulé, 16-11-1949
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Aleixo, cauteleiro e bom poeta
Nascido no Algarve do passado
Viveu com sua alma sempre aberta
Sofrendo a dôr dum peito acorrentado
 
Embora humilde e pobre, conseguiu
Defender o valor da igualdade
Nos versos geniais que construiu
Rimou voz de razão, com lealdade

Aleixo, foi o pai dum fado novo
Um fado, que gerou p´ra todos nós
A sua voz, é voz do nosso povo
E o povo quando sofre tem mais voz

Na vida, foi exemplo de coragem
A obra que deixou faz-nos pensar
Aqui fica esta simples homenagem
Ao rei da poesia popular

Outubro 1998

Sonhos outonais

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O sol vai descrevendo a curva descendente
E sem se despedir vai tendo o seu final
Nós vamos revivendo ao compasso da mente
Tentando construír o espaço real

Os sonhos outonais revestem-se de medo
E lá vamos sentindo o soluçar do vento
P’ra lá dos temporais o tempo é um segredo
Que nos vai permitindo ouvir o pensamento

Do tempo do amor resta-nos a saudade
O compasso da vida aumenta a solidão
Seja que tempo fôr teremos a verdade
Da hora prometida p’lo nosso coração
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O barco do tempo

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Não vens no barco do tempo
Nem vens no tempo sonhado
E eu trago o pensamento
Tristonho e amargurado

Não tenho notícias tuas / Nem sei aonde estarás
Por ti, percorri cem luas / Em busca de cem manhãs

No teu amor sem espaço / Não há espaço p’ra mim
E eu vou de passo em passo / Na minha estrada sem fim

Entrei no túnel incerto / Da tua luz colorida;
Para ver a luz mais perto / Vou até ao fim da vida

Não me dói o sofrimento / Nem me canso de sonhar
Talvez surja um novo vento / Que me consiga mudar
Se assim fôr, nesse momento
Vou amar, amar, amar
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Tributo a Ary dos Santos

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Passos calmos, passos certos
Braços firmes e abertos
Rosto sorrindo ao futuro
Vida entregue à lei da vida
Verdade escrita e sentida
Amassando o pão que é duro
       
Sofreu as horas penadas / Rompeu pelas madrugadas
Calou fundo o país novo
Abriu as portas fechadas / Cantou as vozes caladas
Viveu p’ra se dar ao povo

Foi aquilo que quis ser / Na sua força de ter
Uma rosa em cada mão
Limitou a sua vida / Por uma causa sofrida
Em defesa da razão

O silêncio foi a lei / Que calou a voz do rei
Dos sentidos sempre alerta
Ficou a sua coragem / Ao partir nessa viagem
Triste e sem morada certa

E as suas mãos de dar / Acabaram por ficar
Cerradas, frias e sós
O seu nome vai ficar / Gravado, a representar
Um símbolo p’ra todos nós
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Amo-te naturalmente

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Não é pelo teu corpo que te quero
Nem é porque és bonita e graciosa
Este amor proibido, mas sincero
É puro, como o cheiro duma rosa

Não é pelo teu corpo que te quero
Nem é pela beleza do teu rosto
Neste amor, que por ti tanto venero
Poderás ver a cor dum sol d’agosto

Não te amo somente por seres bela
Nem te amo por seres tão sensual
Amo-te, porque me lembras uma estrela
Brilhando no meu céu celestial

Na fonte do prazer que tens contigo
Eu sou a perdição do bom sabor
Amo-te tanto, que já não consigo
Esquecer o teu rosto encantador;
Adoro pressentir o tal perigo
Que tens, na tempestade do amor
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Lição de fado

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Um velhinho senhor, distinto e aprumado
Aparentando ter maior sabedoria
Contou-me com amor o mistério do fado
E deu-me a conhecer o som da poesia

Mostrou-me com ternura a alma da saudade
Mostrou-me o quanto dura o luar duma vida
Mostrou-me a desventura, a raiva e a maldade
Mostrou-me em suavidade a hora prometida

Tocando levemente as cordas já cansadas
Duma guitarra antiga, ali abandonada
Trauteou docemente um fado feito em quadras
Lembrando uma cantiga outrora mui cantada

Embalado na dor duma enorme saudade
Sentiu correr no rosto um pingo de tristeza
Esse velho senhor, fadista de verdade
Fez-me reconhecer a alma portuguesa

Junho 2010

Dedicatória Para a Marta


Queres uma dedicatória?
Pois bem meu amor, lá vai
Tu és o sol da glória
Que me orgulha de ser pai

Tenho a sorte bestial
De ter uma filha assim
Uma filha que, afinal
É um pedaço de mim


Sou suspeito p’ra falar * Da pessoa a quem mais quero
Mas juro que vou tentar * Ser isento e ser sincero

Entendo que tens contigo * Defeitos e qualidades
No entanto, não consigo * Descobrir em ti, maldades

És meiga, tens simpatia * Tratas por tu o amor
Tens o encanto e a magia * Das pessoas de valor

Que mais poderá dizer * Um pai assim como eu
A não ser, agradecer * O dom que a vida lhe deu
De ter o grande prazer * De te ver crescer, crescer
Como a imensidão do céu

Quero que a vida te dê  * Paz, amor e fantasia
O brilho que em ti se vê * Enche o mundo d’alegria
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Memória

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Naquela casa antiga, onde o fado morou
Há marcas de saudade, há marcas de desejo
Ao som duma cantiga, uma mulher amou
Na musicalidade, e no calor dum beijo

Encostado a um canto, existe um candeeiro
Que foi, vezes sem fim, o luar da saudade
Também existe um manto, aconhego primeiro
Duma flor de jasmim, irmã da felicidade

Ao fundo, ainda se vê, o perfil dum poeta
Que fez rimas ao fado, inspirado p'la lua
E sem saber porquê, há uma porta aberta
Que tem um fado errado, é esquina da rua

A guitarra velhinha, abandonada e triste
Relembra com saudade, as cordas que tivera
Morreu uma andorinha, a saudade persiste
Mas na realidade, ainda é primavera

Dezembro 2006