Esta minha poesia // Simples, como o meu valor // São os sopros da magia // Com que descrevo o amor // JFC
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* Blogue especialmente dedicado à minha filha *Marta Castro *a razão da minha vida *
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Amor sufocado

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Trazes poemas
No sorriso que me dás
Tal como a lua me traz
Motivos para sonhar
Trazes poemas
No beijo mais ternurento
Produzido pelo vento
Do teu doce respirar

Trazes contigo
A alma inteira dum fado
Todas as noites cantado
Pelo amor, em surdina
Trazes contigo
O timbre quase perfeito
Da voz que ao sair do peito
Sai muito mais cristalina

Só não me trazes
O sufoco acontecido
No tempo em que enlouquecido
Te procurei em desejo
E nem me trazes
Aquela certeza doce
Que fosse lá p'lo que fosse
Me sufocava num beijo

Agosto 2016

Sol de setembro

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De cada vez que o sol vem a Geneve
Para me dar o amor de que preciso
Eu sinto a minha cruz muito mais leve
E tenho o mundo todo num sorriso

De cada vez que o sol se vai embora
Levando toda a minha felicidade
Há sempre aquela luz motivadora
Que me ajuda a viver com a saudade

O sol deste setembro abrasador
Que brilha mesmo longe do meu céu
Tem o calor que tanto bem me traz

Talvez por ser o meu amor maior
Este sol que a vida-mãe me concedeu
É que me faz de quase tudo ser capaz


Outubro 2016

Um pedido à saudade

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Saudade, escuta este fado
Que sempre canto a pensar
Na chama que tens acesa
Por ti cometo o pecado
De pôr a alma a chorar
Ao compasso da tristeza

Não sou em nada dif'rente
De quem sente bem o peso
Que tens na alma do tempo
Sou fruto dum acidente
Do qual escapei ileso
Mas ferido cá por dentro

Um acidente de amor
Que marcou a minha vida
E matou a felicidade
Por isso, faz-me um favor
Deixa-me d'alma ferida
E vai-te embora, saudade

17 Novembro 2016

Contratempos do destino

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Com olhos marejados e a face bem cingida
Um vulto olhava o céu e a sua cor cinzenta
Relembrando pecados e tristezas da vida
Vida que só lhe deu outonos de tormenta

Primeiro contratempo; o adeus prematuro
De seu saudoso pai, o seu maior herói
Depois desse momento aflitivo e duro
Sua bondosa mãe, também pró céu se foi

Tentou continuar a sina que o marcou
Mas tudo correu mal, e para mal maior
Depois de dedicar a vida a quem amou
Percebeu afinal, que não havia amor

Triste, desiludido e co'a alma ferida
Algemou os sentidos ao desespero atroz
Hoje, vulto perdido, anda assim pela vida
Em busca do tal mar que lhe dê nova foz

Outubro 2016

Noite-berço berço-nobre

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A noite é o ombro amigo / dedicado
Do peito que se perdeu / por muito amar
E vai servindo de abrigo / aconhegado
A quem nada tem de seu / mas quer sonhar

A noite é a protetora / irreverente
De quem busca liberdade / prometida
É a cama acolhedora / sempre quente
Onde dorme uma saudade / acontecida

A noite é o berço nobre / berço-amor
Do sonho mais natural / que a vida tem
É o manto que nos cobre / com calor
No auge do vendaval / quando ele vem

Com boas ou más marés / e muito fado
A noite é o brilho perfeito / acolhedor
Do coração português / apaixonado
Que da noite faz seu leito / do amor

Rimas de fogo

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Embora por vezes me sinta perdido
Em rimas de fogo queimando bastante
Não consigo nunca dar por concluído
Este ingrato jogo de tensão constante

Tensão que perdura para lá da força
Que ponho naquilo que já construí
Não há rima dura que me vergue ou torça
Quando a luz que tenho me chega de ti

De ti também chega o suspiro intenso
Espalhando fogo de amor e verdade
De ti... meu sufoco... me vem o bom senso
De ti... meu amor... me vem a saudade

E quando a saudade se parte em pedaços
Eu sou o pedaço que ninguém reclama
Assim vou sentido a falta duns braços
Que me prendam todo ao amor em chama



Vendavais passados

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Nas contas que faço agora
Somando noites d'outrora // Aos momentos atuais
Fico co'a noção perfeita
Que a alma ainda se deita // Na cama dos vendavais
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Cama que durante a vida
Deu sempre maior guarida // Às coisas do coração
Agora tudo é dif'rente
Porque a vida nunca mente // Disso vou tendo a noção
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Passei por todas luas
Amei em todas as ruas // Cantei este fado meu
Sonhei quando foi preciso
E subi ao paraiso // Quando o sonho aconteceu
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Agora a vida é mais calma
Porém, dentro da minh'alma // Germina o amor sonhado
Porque a vida ainda quer
Que eu faça reacender // As estrelas do meu fado


Sonhos livres

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Quero fazer novos poemas à saudade
Quero cantar novas promessas ao amor
Talvez assim eu adormeça sonhador
E tenha sonhos em perfeita liberdade

Quero fazer novos poemas ao desejo
Quero gritar novos desejos À loucura
Talvez assim haja perfume no teu beijo
Talvez assim tenhas na alma mais doçura

Quero que o sonho tenha a cor do teu olhar
Quero que o vento tenha o som da tua voz
Talvez assim seja possível inventar
Um paraíso mais perfeito para nós

Bom tremelique

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Chama-se “Bom Tremelique”
O restaurante mais chique... da  minha cidade amada
Neste solar português
Uma dose dá p’ra três... se dois não comerem nada

Há rissóis de camarão
Há croquetes de vitela... servidos com aparato
Mão de vaca sem ter mão
Há arroz de cabidela... feito com sangue de pato

Língua de boi sofredor
Coelhinho à sacador... e bife à moda da casa
Temos leitão da Bairrada
E temos uma pomada... que nos põe de grão na asa

Ovos moles ou mexidos
Pescadinha da graúda... com o rabo na boquinha
Temos carapaus cozidos
E  temos uma miúda... que faz coisas na cozinha 

Excelente linguado
Com molho de berbigão... tudo feito com ternura
E como prato afamado
Temos o tal salpicão... com o bom grelo à mistura

Sobremesas variadas
Bananas e marmeladas... sempre servido a preceito
É tudo à moda do Porto
E se a coisa der pró torto... há solha a torto e a direito

Doravante

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Deus quer que este meu fado seja teu  
O resto são  caprichos do amor
Roseira que por ti floresceu
Apenas pode dar rosas de cor    

Deus quer que nossas mãos fiquem unidas
Enquanto nossas bocas se procuram
Deus quer as nossas almas floridas
Enquanto as nossas vidas se misturam

Do sonho à realidade vai um salto
Do salto ao teu abraço, vai um beijo
O meu amor por ti voa mais alto
Que gaivotas voando sobte o Tejo

Apenas, por querer dar-te o melhor
Deus quer que teu futuro seja eu
O nosso amor merece qualquer céu

E qualquer céu merece o nosso amor


Nem sempre é alma de fado

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Uma voz que nos encanta
No sopro que se levanta
Ao compasso anunciado
Nem sempre nos dá magia
Nem sempre nos arrepia
Nem sempre é alma de fado

Uma guitarra gemendo
Com a viola envolvendo
Acordes do nosso agrado
Nem sempre vibra a preceito
Nem sempre nos enche o peito
Nem sempre é alma de fado

Alma de fado só tem
Quem sente como ninguém
As mensagens da saudade
Alma de fado é a vida
Qual história acontecida

Em nome da felicidade

Paixão acomodada

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Como sempre, à mesma hora
A paixão veio em surdina
Aninhar-se no meu peito
Acomodou-se... e agora
Toda ela me domina
E me faz perder o jeito

Aquele jeito perfeito
Que eu tinha quando passavas
Na rua do meu pecado
E deixavas no meu peito
O aroma das palavras
Que perfumavam meu fado

Como sempre, de surpresa
A paixão partiu de vez
Sem um aceno de mão
Deixando a lembrança acesa
Na suave pacatez
Do meu corpo em solidão

06.Setembro.2016

Sonhador

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Talvez por ter nascido sonhador
Ou por ser sonhador em opção
Alterei o trajeto da razão
E trilhei os caminhos do amor

Mudei o rumo certo da viagem
Que me levava ao porto mais seguro
E consegui saltar o velho muro
Para pisar a terra da coragem

Em cada passo dado, uma promessa
Em cada solidão, uma tristeza
Em cada sonho, um sopro d'incerteza
Marcando a minha vida controversa

Demasiado tarde p’ra mudar
E sem ter sequer vontade de o fazer
Continuo a viver e a sonhar
Se deixo de sonhar, não sei viver

Cidade em crescimento

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Cidade que vais crescendo / Em perfeita liberdade
Em ti se vão escondendo / Traços da minha saudade;
Porque a minha mocidade / É feita da tua história
E eu trago na memória / Os vestígios dum passado;
Que revelam a glória
Dum povo amante de fado

Cidade cresce com calma / E aceita o tempo novo
Sem esqueceres que na alma // Existem vozes de povo;
Confesso que me comovo / Quando te vejo crescer
Porque não te quero ver / Colorida com vaidade;
Nem quero ver-te perder
O dom da simplicidade

Cidade da minha gente / Nobre e leal companheira
Não queiras ser diferente / Do que foste a vida inteira;
Tenta encontrar a maneira / De não perderes liberdade
Porque na tua verdade / Há um poema real;
Fazendo de ti, cidade
O orgulho nacional.

Viagem

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Quando viajo contigo / em sentimento   
Ao reino dos versos sábios / da manhã
Enfrento qualquer perigo / ou contratempo
Com um sorriso nos lábios / de romã

Da forma mais temerária / mais intensa
Que tenho a qualquer momento / do meu dia
Sorvo a poesia rara / tão imensa
Que te sai do pensamento / em fantasia

Qual gaivota entontecida / em céu aberto
Vou voando, vou voando / em liberdade
De
encontro à nuvem perdida / em céu mais perto
Que se vai aproximando / da saudade

E quando por fim me vejo / enternecido
Em frente à nuvem que veio / em suave calma
Sinto a doçura dum beijo / permitido  
Em cada verso que leio / com a alma